Desde os primórdios educacionais (na mais primitiva das tribos), já existiam modelos de ensino com conceitos pré-formulados que deveriam a todo custo serem passados adiante com o intuito de, talvez, manterem certa identidade cultural. Na educação jesuítica não foi de todo diferente: a igreja católica usava padres como mediadores do processo que deveria catequizar índios tidos por eles como selvagens e pagãos com o objetivo de domínio e submissão. O diferencial está no fato de que nas MISSÕES a violência não acontecia com a barbárie tribal, ela acontecia de maneira gradual e contínua, onde os índios pouco à pouco iam absorvendo a cultura branca sem se darem conta que por detrás de toda aquela benevolência, haviam interesses políticos, econômicos e ideológicos. Inocentes naquele contexto, só mesmo os pobres índios que foram culturalmente violentados dentro de suas casas. E esse modelo jesuítico de educação ficou perpetuado com o nome de RATIO STUDIORUM. A pergunta que fica é: educar consiste única e exclusivamente em neutralizar as diferenças? No espaço urbano criado pelos padres dentro das sociedades indígenas, abandonavam-se as atitudes e os padrões culturais julgados impróprios, e substituía-os pelas normas comportamentais julgadas como ideais na organização política, econômica e cultural. No Brasil, o ensino jesuítico manteve a escola conservadora alheia á revolução intelectual representada pelo racionalismo cartesiano e pelo renascimento científico. A educação interessava apenas a poucos elementos da classe dirigente e, ainda assim, como ornamento e erudição. A igreja exerceria maior poder de dominação se seus fiéis permanecessem na escuridão de suas cavernas.
Edicleia Barros e Jackeline Santana

3 comentários:
Vejo que não podemos nos confundir no papel exercido pela Igreja na colonização do Brasil, pois no processo de colonização o único papel da igreja é converter os indios para o cristianismo independente da coroa portuguesa, diante disso os portugueses se aproveitaram do trabalho dos jesuitas, pois perceberam que os índios ficavam mais docéis levando-os com facilidade para o escravismo.
Excelente reflexão o texto proporciona. Parabéns!
Acredito que essa seja a maior de todas as preocupações que nós educadores devemos ter. "Educar significa neutralizar as diferenças?". Se analisarmos a educação da atualidade, veremos massivamente, talvez não no discurso, mas na prática, uma ação homogeneizadora dentro da escola. E, diferente da barbárie ou da rigidez utilizada pelos jesuitas, séculos atras, refinamos nossas formas de impor nossa ideologia aos grupos dominados, os meios de comunicação, as tecnologias e o próprio processo de educação escolar conseguem com maestria cumprir essa tarefa.
É isso aí: os índios devem ser mantidos na sua selvageria e barbárie originais, sem sofrer a "violência cultural" da civilização. Ler e escrever, água encanada, tecnologia moderna, nada disso é pra índio.
Que babaquice! E quem escreve isso se acah o cúmulo do progressismo, quando apenas não reflete criticamente sobre suas próprias opiniões. É a vanguarda do atraso.Prof. Adolfo Dias.
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